sábado, 2 de junho de 2012
Voltei?
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Caminho
Indecisão. Talvez seja essa minha palavra de hoje. E tudo que eu preciso – mas não necessariamente quero – é de um sinal. Algo que me mova para frente, ou para trás, tanto faz! Algo que me tire desse estado de inércia em que eu mesma me acomodei. A verdade é que já sou grandinha, tenho escolhas a fazer. Mas ainda não sei como abdicar daquilo que, durante anos, amei, cultivei, cativei e, em certos momentos, fiz das tripas coração para não perder. Como escolher entre o aqui e o acolá, o quente e o frio, a chuva e a seca, o mar e um simples e poluído lago. A opção mais certa parece óbvia. Mas cada lugar, cada pessoa, cada pingo de chuva ou cada folha seca me compõem de alguma forma bem especial.
Mas também não venha me dizer que o arriscar não é legal, às vezes é necessário, concordo. Então, nem penso em desistir do adiante, mas tenho medo do estranho, tenho pavor de sofrer e não conseguir voltar a fita. Afinal, está tudo tão certinho. Meu pavor é que eu de alguma forma deixe de fazer parte de um mundo e viva só no outro. Entende? Nem eu. É por isso que escrevo. As palavras me acompanham em qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer clima. Mas e você, vai estar ai quando eu precisar?
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Momentos em que eu sou eu
Amanheci
Resolvi levantar a cabeça, olhar para frente e enfrentar a luz que vem em minha direção. Quando preciso, fecho os olhos por alguns instantes, mas sem perder o foco. Hoje, eu falo e escuto, doou e recebo algo que não fazia idéia que existia. Em cada relação que estabeleço, encontro pedaços de mim que ainda não conhecia.
Minha avó
Esses minutos, que antes pareciam inacabáveis, passaram voando... Tudo graças a uma senhora simpática que resolveu parar bem do meu lado. Seu sotaque engraçado, sua postura curvada e os cabelos presos cuidadosamente com grampos coloridos me chamaram a atenção. A voz era chorosa, as queixas vinham com facilidade.
- Eu não vou entrar nesse ônibus cheio. Não vou mesmo! – disse ela, assistindo o ônibus partir.
- Tem nem lugar para sentar, minha filha –
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Mariana Alves Pereira
Eu daria qualquer coisa para voltar a ser criança. É que, assim, bem de repente, me deu uma saudade de me esconder no abraço do papai, que ,com um sopro, sarava meu dodói e com um beijinho me colocava para dormir. É que, em quase dezesseis anos, eu nunca tinha parado para pensar em quantas coisas eu abdiquei para tentar ser gente grande. Não tenho mais a bota da Xuxa, a casinha da Moranguinho e um bambolê multicolorido. Minha mãe não arruma mais meu cabelo, não me põe uma roupa bonita e nem me leva para a escola. E meu pai... Meu pai não me dá mais boa noite todo dia, ou faz meu prato predileto no almoço. Ele não me conta mais histórias, não me leva pra passear ou trás papéis do trabalho pra eu brincar de escritório na sala. Ele nem ao menos entra na frente da mamãe para me defender de umas boas palmadas. Como eu gostava de fingir que estava dormindo só para ele me carregar no colo, como eu me esforçava para acompanhar seus passos apressados - minhas pernas doíam, mas eu não queria parar – e como eu sentia saudade quando ele demorava a voltar para casa. Acontece que, dessa vez, ele está demorando demais. Ele perdeu alguns aniversários, se atrasou para outros. Mentiu sobre algumas visitas e sumiu durante meses. E, nessa semana, quando ele me pediu desculpa por isso, foi como se meu coração parasse e começasse a bater de novo, como se o sorriso que ficou escondido naquela festa de aniversário, enquanto eu o procurava para entregar o primeiro pedaço, pudesse finalmente deixar meus lábios. Às vezes, meio que do nada, me dá uma vontade de chorar... E eu começo a rezar baixinho, pedindo para que a saudade diminua e o meu fôlego volte. Me fiz de forte, fingi que era aquilo o melhor para todos, mas a verdade é que só eu sei a falta que meu super herói particular faz. Eu ainda lembro da disposição de cada móvel da casa, lembro do carro velho dele parado do lado de fora e do bar aonde ele começava a ir. Minha infância é mais nítida na minha mente do que o dia de ontem. Isso me aproxima dele! Eu lembro do automóvel com algumas tralhas e lembro de ter dito tchau. Eu nem entendia porque... Achei que voltaríamos logo, os três para casa....
Ele é o homem mais importante da minha vida, a minha maior saudade. Eu adoro ser sua secretária, ler seus e-mails, digitar suas cotações. Adoro qualquer coisa que me deixe pelo cinco minutos a mais do seu lado. Talvez, se tivéssemos ficado juntos, hoje seria tudo diferente. Seríamos um e não três... E eu adoro quando estou pensando em você e você, do nada, me liga. Igual aconteceu agora. Então, de uma maneira ou de outra, estamos ligados um ao outro. Você e a menininha com cabelo engraçado enforcando o coelho. Enquanto eu conseguir guardá-la em mim, sei que também guardarei os momentos bons que passamos juntos, todos eles. As coisas não são exatamente como eu queria, ela – a menininha da parede - aparece menos do que precisava aparecer. Mas, ela, e eu também, ama demais o senhor!
Saudade
terça-feira, 24 de maio de 2011
Saudade de tanta coisa
Saudade do tempo em que eu comia trakinas sentada no tapete velho da sala, sem reclamar da vida.
Saudade do barulho da chuva, na janela do quarto, enquanto eu dormia na cama com o papai e com a mamãe.
Saudade de ouvir estórias engraçadas e desenhar com giz de cera na parede.
Saudade de derrubar varais cheios de roupa e depois ficar de castigo de joelhos, fazendo graça com as gurias.
Saudade de fazer careta, catar milho no teclado, treinar beijo na mão, ensaiar balé no espelho.
Tenho saudade do barulho que eu fazia enquanto mastigava o pirulito antes que o professor entrasse na sala de aula.
Saudade das inúmeras vezes que derramei sabão no quintal da vovó para brincar de escorrega barriga com meus primos. Para falar a verdade, eu tenho saudade dos meus primos, tenho saudade de mim. Antes, éramos uma espécie de ser dividido em vários corpos.
Tenho saudade do meu pai junto com minha mãe, da viagem que fizemos logo que eles se separaram.
Tenho saudade da minha família, que, por algum motivo, se espalhou pelo Brasil afora.
Tenho saudade de alguns ex-namorados, mas só alguns. Desses, ainda guardo um carinho especial e uma imensa saudade das horas que passávamos fazendo o que só nós fazíamos.
Eu tenho saudade do pôr do sol na praia, das ondas fortes do mar, da areia que gruda no pé. E, eu sei, que quando eu for embora de Brasília, vou sentir saudade dela também.
Tenho saudade da minha professora do pré, da minha boneca que sempre quebrava a cabeça no balanço. Tenho saudade dos tempos de ensino médio, das paqueras de menina boba. Tenho saudade da faculdade, mas só de alguns momentos.
Tenho saudade de cada lugar para onde fui nas férias, de cada pessoa boa que conheci. Tenho tanta saudade que nem cabe mais em mim. Ela se transforma em liquido fresco que escorre pelo meu rosto e transforma minhas lembranças em sorrisos. Aí, eu volto no tempo, me entrego ao momento e vivo, por alguns instantes, de pura saudade. E, se um dia eu não sentisse saudade, certamente, morreria desse mal.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Subjetivo, não vá entender errado
Não tenho paciência para tanta efemeridade. Tudo tão fugaz, que acaba me deixando perdida no meio do caminho. Realmente me choco com a tão criticada subjetividade. De mim, ela tira os suspiros mais altos, os olhares mais reveladores e o que restava dos meus neurônios. Desatenção se atenta. As mãos, os braços, a boca, entram em sintonia tentando mostrar o que as palavras fazem questão de não revelar. E, como tudo se resolve na base do dito, mas não dito, não há provas capazes de condenar alguém. Condenar por falar demais e sentir de menos, ou, apenas por não sentir certo. Condenar por atitudes infames, que a gente até sabe que existe, mas nem pode desaprovar. Não com o verbo certo. Assim, ninguém se machuca, se o sentimento muda de uma hora pra outra e um esquece de avisar o outro, afinal, ninguém nunca foi bom com as palavras mesmo. Eu até que faço o que quero, eu bem que sinto o que o coração manda, e, quando quero, eu bem que me atrevo e escrevo. É a única forma de me livrar dessa “desverbalização” a qual me submeto. Que eu disse, disse.
E se prepare para ouvir: não foi isso que eu quis dizer!
Noite
Agora, me pergunto aonde basearei os meus próximos passos. Tenho alguns minutos, antes que o sol nasça e deixe apagado o brilho de quem ainda me fazia companhia. Até que tudo volte a um normal que eu pintava de uma maneira distorcida e rabiscada, tenho algum tempo. Preciso decidir que sapato usar e me lembrar se ainda tenho alguma roupa limpa. Foram horas observando estrelas e discutindo estórias engraçadas, foram planos traçados, abandonados, repensados e deixados de lado, por mais de uma vez. Depois disso, não tinha tempo pra quase mais nada. Foram promessas que eu não pretendia cumprir, lembranças que conseguiram me alcançar e sonhos que me mantiveram acordada. Vi, de longe, a lua mudar de cor, enquanto eu me ajeita para apreciá-la. Corri, caminhei, chorei, pulei. Tudo, sem sair do lugar. Eu tive um milhão de desejos, me apaixonei umas cem vezes, até que escutei baixinho um som me trazer de volta. E, enquanto escovo os dentes, ainda penso na noite que tive, sozinha, sentada na janela, observando a lua. Ela foi minha conselheira, minha amiga por algumas horas.
Às vezes, o mundo parece parar de girar um pouquinho, para que, de alguma forma, tenhamos chance de entendê-lo. Pensamos e fazemos tantas coisas, que se não as colocamos em ordem, acabamos esquecendo quem estamos sendo.
domingo, 15 de maio de 2011
Poeta
Eu queria ser poeta pra dizer sem falar, cantar sem ao menos meu lábios desgrudar.
Eu queria ser poeta e dona do que eu sinto, que às veze me toma e me faz perceber o quão pequena me torno diante da vida.
Eu queria ser poeta para ser o mar, o sol e meu coração. Queria poder voar e ver alegria na tristeza que compõe um soneto.
Queria viver da arte de criar poemas feitos da folha que toca o chão no outono, da água que molha meus pés na chuva. Me imaginar grande, bem maior que a sensação que me toma conta nos dias de frio, a solidão.
Ah, eu queria sorrir para a maré de azar que sempre me traria boas estórias. Queria tirar do cotidiano rimas coloridas, tirar do não uma contradição, do apego uma crônica, da decepção um aprendizado maior.
Eu queria ser poeta. Queria escrever a qualquer hora e tirar de cada líquido salgado que me cobre a face uma nova inspiração. Queria tirar do nada o meu tudo e ver o mundo de uma forma diferente, por ser diferente. O poeta ama quando quer amar, pois sabe " que todo grande amor só é bem grande se for triste".
Eu queria ser poeta!

