quarta-feira, 4 de maio de 2011

O tempo atropela


O mundo já não é mais o mesmo. Enquanto escrevo, não consigo, nem ao menos, ordenar todas as disparidades que me vêem a mente. Quando era criança, eu costumava andar de bicicleta, jogar futebol na rua e enrolar minha mãe para não tomar banho. Eu bem que tive alguns amores, mas nenhum fugiu da regra. Eram todos platônicos. Aprendi a me maquiar já com uma certa idade, na mesma época em que me percebi indo para a faculdade. Já com meus doze anos, tudo o que eu queria era uma Barbie nova para brincar. Eu tinha várias, com “n”tipos de cabelo, cor, perfume. Me divertia com pedaços de pano, tentando descobrir como transformá-los em uma moderna blusa. Eu, naquela época, não trocava minhas bonecas por nenhum par de sapatos da nova coleção da sapato da corte. Eu era feliz e nem me tocava disso. Ia para a escola com qualquer calça confortável e brigava com os meninos na fila para o banheiro. Eu dançava quadrilha, obedecia as regras, batia nos meus primos, brincava de careta e fazia planos de morar com minhas primas quando eu crescesse. Pois é! Eu cresci. Ganhei um zilhão de responsabilidades. E, quando me lembro, ainda tento parar e observar as estrelas caindo. Carrego, no pulso, a dos meus sonhos, que, quando mais nova, descobri que era meu anjo. Ainda acredito em contos de fadas e em desejos mirabolantes. Eu ainda quero ser atriz de cinema e morar em uma casa com vista com mar. Quero paz para a minha família e um domingo cumprido no parque. Mas eu não sei mais brincar. Eu esqueci a magia de transformar minhas bonecas em amigas confidentes. Esqueci como fechar os olhos para o tempo, enquanto os fantasmas se escondem. Eu nem ao menos me lembro como faço para pedir um beijo de boa noite para a mamãe.

O tempo passa, e ao invés de somar, se não ficamos atentas, ele nos leva o que há de mais precioso. Não precisamos ter medo de ser o que somos, com medos, ingenuidades, fraquezas, brandura. Coisas que só uma criança tem. Se aprendermos a conservar esses valores com a gente, talvez consigamos preservar também nossa felicidade e inocência. Então, que tenhamos força para acreditar no que somos, mesmo que os outros lhe chamem de careta. Pior que ser julgada por alguém é ter motivos para se julgar e se arrepender do que fez!

sábado, 30 de abril de 2011

Qualquer dia, eu

Sou quem preenche o papel, quem toca o vento e sente o sabor da água. Sou cada pingo de tinta, cada curva da letra, cada excitação do parágrafo. Sou o ritmo da música, o rumo da história, as pedras do caminho. Eu sou pouco, sou muito, sou o bastante. Eu sou exatamente cada letra da canção, cada significado do recado. Sou os signos do imaginário, sou a força do torcedor. Eu sou um pingo, um furacão. Sou um nada, eu sou tudo. Sou tudo o que quero ser, mais do que imaginava perceber. Aqui, nessa folha em branco, sou o possível, o impossível, sou eu de verdade. Fora daqui não me conheço. Fora daqui sou apenas mais um ser humano estranho que perambula pelo mundo a procura de razões. Fora daqui não me verão.

Duas ou uma?

Por que o tempo passa e nem ao menos nos deixa respirar? Ontem, eu era uma e, hoje, sou outra. Duas pessoas que até se conhecem, mas não se entendem. O que era certo para a uma a outra nunca pensou em fazer. As roupas e cabelo que a uma usava a outra, hoje, só sabe criticar. Quem a uma beijou a outra nunca sonhou em beijar. No entanto, a outra inveja a inocência e paciência que só a uma teve. Ela até que é feliz... mas sorri menos, sonha menos e deseja pouco. Ela é mais acomodada. Pobre menina, já perdeu a esperança. Eu queria ser uma, a única, com vontade suficiente para mudar o que me incomoda e correr atrás do que me interessa. Mas queria ser outra, com o pé no chão, experiência e maturidade. Uma conhece a outra, uma bem que completa a outra, mas eu nunca soube como uní-las.

Para a filha que eu, de algum modo, ainda tenho


Filha, pode ser que um dia nem lembre mais o meu rosto. Pode ser que minha voz se confunda dentro da sua cabeça e você não mais a reconheça. Pode ser que o que te dei seja pouco para que eu ocupe suas lembranças. Mas a verdade é que eu não posso garantir que isso se repita comigo. Seu sorriso estridente, sua voz mais doce que mel e sua esperteza incomparável vão ficar gravadas em mim para sempre. Sinto orgulho do pouco tempo que escutei você me chamar de mãe, e, só Deus sabe, como eu me sinto ao pensar que talvez isso não se repita. Te amo do jeitinho que você é: respondona, inteligente, curiosa e teimosa. A mais linda, mais carinhosa, mais espetacular.

- Um dia, enquanto eu chorava por ter brigado com minha mãe, você deixou sua travessura de lado, desceu do sofá apressada e foi até mim. Com a voz mais serena do mundo, me disse baixinho: o que foi, mamãe? Mamãe, por que você tá chorando? Ein?

Parecia gente grande. Enquanto você limpava meu rosto, olhava para mim com um olhar de preocupação. Você realmente queria saber porque eu estava tão triste. A verdade é que nunca fui consolada daquele jeito.

Depois disso, você levantou rápido, saiu de perto de mim, foi até o quarto e disse: Tia Lúcia, a minha mãe está chorando, tadinha.

Foi, mesmo contra minha vontade, mesmo eu te pedindo para ficar. Você, de algum jeito, sabia que aquilo era o que faltava.

E, se algum dia pensares em mim, pense também que eu te amo. Agora e sempre, te amo!

Todo mundo tem uma trilha sonora

O que seria do mundo sem uma Trilha Sonora? Eu não consigo imaginar. Ouço música quando acordo, quando estou apaixonada e quando quero me apaixonar. Escolho a música certa para quando vou viajar, para quando vou deitar – e aí depende se quero ou não dormir. Imagino a música que deveria estar tocando até quando não ouço nenhuma. A música me envolve quando estou sozinha, bem acompanhada ou totalmente mal acompanhada. Tenho as músicas que lembram meus amigos, as que lembram meus amores, meus desamores e até meus inimigos (sim, eu os tenho também). Meu repertório? Tem de tudo. Desde sertanejo até Elvis Presley. E não ache que estou desrespeitando o rei, mas tem dias que não estou muito afim do melhor. Tem dias que tudo o que quero é dançar e “curtir a vida”. Mas, na maioria deles, eu prefiro escutar aquilo que parece ter sido escrito por alguém que sentia exatamente o que eu sinto, mas que, de alguma forma, conseguiu transformar aqueles sentimentos em poesia. Coisa que eu, na minha mortalidade, não consegui. Por isso, tem musica para cantar e apreciar, tem ainda as de gritar e as de calar e refletir. Tem aquelas que nos deixam com uma pulga atrás da orelha pensando como alguém foi capaz de escrever tamanha poesia. Enfim, tem música pra tudo. E essa musica é como o pincel que colore o mundo. Tem a cor exata para cada dia, cada expressão, cada momento. Ah, eu amo musica. Amo o mundo que coloreio a meu modo!

...

Estranha ou não, eu sou quem eu sou. Por querer, ou, simplesmente, por ser. Quando me esqueço de me ajeitar, sou o eu que alguém pintou. Quando atenta, consigo me fazer mais perfeita. Então, sou desleixo e atenção, distração e atuação. Tenho mais cenas que qualquer filme, sou mais cumprida que qualquer frase mal escrita. Mas, em instantes desligados, sou preguiça e comodismo. Sensata ou não, eu sou eu. Com paranóias incontroláveis e sonhos absurdos. Com boca seca, mãos tremulas e voz que prefere um sussurro. Simpática ou não, sou exatamente eu.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Quem eu quiser ser

Sinto que preciso de um pouco mais de poesia, uma pitada a mais de romantismo. O que me falta é deixar que o peso dos meus dedos debrucem de maneira desajeitada e livre esse pedaço de papel de toda essa monotonia sem cor. Eu desejo um pouco mais de ousadia, preciso de bem menos pudor. Para que escreva palavras curtas e não me perca nas curvas de cada parágrafo, quero mais lucidez, recheada com bastante sensatez. Quero coragem de ser eu e mais alguém. Ser eu, ela, ele, quem me der na telha, sem me preocupar com quem me apontará. Agora o que me falta são os pontos para enfeitar a estória e um pouco de distancia para aprecia-la sem me envolver. Quero meus cabelos compridos, minha blusa rasgada e minhas botas de cowboy, enquanto tomo, lentamente, uma dose de tequila. Preciso de minhas lembranças de forma fiel, uma inspiração que só eu terei. Cada papel me abalará de uma forma diferente e eu, finalmente, poderei interpretar alguém mais feliz!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ao som de Maria Gadú, confesso que

http://www.youtube.com/watch?v=BBjG9-URipI

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Tem hora que a gente daria tudo pra parar no tempo, se perder em horas maravilhosas que pareciam impossíveis diante da nossa maré de sorte. Tem dia que a gente reza para o relógio parar, implora para o sol não se esconder e, por mais que procuremos, não encontramos motivo para reclamar. Nesses dias, nessas horas, tudo o que basta é um sorriso bem dado, uma música bem cantada e o corpo leve. A gente flutua sem tirar os pés do chão. Viajamos sem sair de casa, sem deixar a cama. O olhar perdido, que é o maior ganho, passa despercebido. E é nessa hora que a gente percebe que nem é preciso muito para ser feliz. É aí que a gente para e pensa que se a gente não pensa fica mais fácil acertar. E o que me resta desses momentos, dessas verdadeiras marés de sorte e bom humor, é uma eterna vontade de que na próxima vinda eles sejam maiores e que, nem que seja por algumas horas, o tempo pare de verdade. Todo mundo tem o dom de parar e apreciar uma boa música e todos temos que aprender a aproveitar esse dom.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Inquietação Sentimental

Às 2h30 da madruga costumo nem pensar em nada. Mas hoje foi diferente. Depois de levantar para beber água três vezes, em menos de meia hora, meu corpo implorava por descanso, mas minha cabeça insistia em flutuar.

Eu sei que acreditar no sexo oposto, principalmente nos dias de hoje, não é muito fácil. Ainda mais depois de perceber que eles adoram mentir e não hesitam em te deixar nervosa por qualquer coisa. O mais intrigante (e foi isso que me tirou o sono) é pensar que nós também somos assim, meio egoístas, que adoram ser mimadas. A verdade é que (o calor desses últimos dias pode ter atrapalhado meus neurônios) o ser humano é assim, é egocêntrico mesmo, e adora chamar atenção.

Ninguém vai se prender a algo que não esteja lhe fazendo bem. Mas longe de mim achar que o problema é comigo, afinal o auto-estima é essencial nessas horas. Por isso, preferi criar minha própria teoria para essa minha onda de “solterismo”. Dizem que toda regra tem sua exceção, e me baseei nisso para começar minha pesquisa. Não tem nada a ver com príncipe encantado ou alma Gêmea, isso não existe. O que existe é paciência e disponibilidade para amar. Brega, não? Também achei! Mas é isso. Se estamos em um bom momento, até o seu Madruga pode ser um bom partido. Aí vai de gosto, Ne! Dona Clotilde que o diga. Mas quem garante que ele não tem mesmo suas qualidades? No fundo é de bom humor que toda mulher gosta, e isso ele tem de sobra! Enfim, deixando o galã de lado, o que quero dizer é que, talvez, nós, solteironas de plantão, estejamos fazendo de tudo para não se apaixonar, mas um pouco sem perceber. Dá para entender? A gente começa a colocar defeito até na lente que não ta bem colocada no olho do rapaz. A unha ta grande, o cabelo despenteado demais (no meu caso, arrumado demais). A roupa ta muito certinha e ele parece ser excessivamente educado.

É, um bando de besteira, NE?! Mas quem nunca dispensou alguém por pelo menos um desses “probleminhas”. É, gente... E não adianta dizer que o beijo não era bom, que ele não sabe abraçar direito. Vai ver você nem percebeu que o menino bem que estava tentando quebrar o gelo que você construiu só para afastá-lo. Aí qualquer um perde a cabeça (no caso, a língua). Mas se estamos assim, com a idéia fixa de um amor platônico que não deu certo, isso vai acontecer mesmo. O negócio é deixar o estilo marido de Jolie para lá e abrir os olhos para os sapos que temos mesmo. Afinal, todo mundo tem um lado bom. Ou, pelo menos, quase todo mundo. Não podemos esquecer as tais exceções. Então, como boa menina que é, espere um cortejo de um cara legal e fique atenta aos detalhes. Com o coração aberto, a gente encontra mais rápido um cara que queira se vestir bonito e alugar um cavalo branco!

sábado, 18 de setembro de 2010

Covardia

Confesso que preferia nem tocar nesse assunto. Mas sabe quando parece que vai explodir? O coração fica apertado, as mãos suando frio e a boca sem um pingo sequer de saliva... Me sinto impotente diante das lágrimas dela. É como se todo o meu tamanho se reduzisse à nada. Uma formiga fica maior que eu. Eu fecho os olhos e posso me sentir indo embora, embora para um lugar que eu não faço idéia de onde seja. Não tem começo, não tem meio, nem ao menos um fim existe. É um lugar onde as coisas meio que somem, os sentidos desaparecem e sua mente se enche de vento. Um verdadeiro vácuo. Mas, mesmo com tudo tão mórbido, eu preferi me esconder aqui. Porque mesmo que não tenha risos descontrolados e gente conversando alto, aqui eu não consigo chorar. Eu até tento, mas as lágrimas parecem se congelar antes de deixarem meus olhos. Eu queria ter mais coragem que medo, queria saber o que fazer e me sentir forte o bastante para ir embora, mas não posso abrir meus olhos, a luz é forte demais e algo parece me puxar de volta pro escuro. Eu já não sei o que fazer com tanta agonia. Ela fica inquieta e eu me desespero, mas não sei o que dizer. Talvez eu feche os olhos por não conseguir vê-la triste. E eu sei que isso é errado. Eu deveria acordar para acordá-la também. Eu não deveria gritar, deveria entende-la, eu sei. Mas a genética não deixa. O que a aborrece acaba me atingindo também. Quando ela fica chata eu fico chata e meia. Quando ela é impaciente, eu deixo a calma de lado. Tenho medo de mim quando tenho medo dela. Mas tudo o que eu queria era ter força suficiente para nos levar para casa, de volta para o lugar seguro. Eu queria colo, mas não consigo enxergá-la daqui. Mesmo sabendo que eu sou tudo o que ela tem, eu me afastei e só agora percebo minha covardia, mas eu não consigo voltar.