Sinto que preciso de um pouco mais de poesia, uma pitada a mais de romantismo. O que me falta é deixar que o peso dos meus dedos debrucem de maneira desajeitada e livre esse pedaço de papel de toda essa monotonia sem cor. Eu desejo um pouco mais de ousadia, preciso de bem menos pudor. Para que escreva palavras curtas e não me perca nas curvas de cada parágrafo, quero mais lucidez, recheada com bastante sensatez. Quero coragem de ser eu e mais alguém. Ser eu, ela, ele, quem me der na telha, sem me preocupar com quem me apontará. Agora o que me falta são os pontos para enfeitar a estória e um pouco de distancia para aprecia-la sem me envolver. Quero meus cabelos compridos, minha blusa rasgada e minhas botas de cowboy, enquanto tomo, lentamente, uma dose de tequila. Preciso de minhas lembranças de forma fiel, uma inspiração que só eu terei. Cada papel me abalará de uma forma diferente e eu, finalmente, poderei interpretar alguém mais feliz!
domingo, 9 de janeiro de 2011
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Ao som de Maria Gadú, confesso que
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Inquietação Sentimental
Às 2h30 da madruga costumo nem pensar em nada. Mas hoje foi diferente. Depois de levantar para beber água três vezes, em menos de meia hora, meu corpo implorava por descanso, mas minha cabeça insistia em flutuar.
Eu sei que acreditar no sexo oposto, principalmente nos dias de hoje, não é muito fácil. Ainda mais depois de perceber que eles adoram mentir e não hesitam em te deixar nervosa por qualquer coisa. O mais intrigante (e foi isso que me tirou o sono) é pensar que nós também somos assim, meio egoístas, que adoram ser mimadas. A verdade é que (o calor desses últimos dias pode ter atrapalhado meus neurônios) o ser humano é assim, é egocêntrico mesmo, e adora chamar atenção.
Ninguém vai se prender a algo que não esteja lhe fazendo bem. Mas longe de mim achar que o problema é comigo, afinal o auto-estima é essencial nessas horas. Por isso, preferi criar minha própria teoria para essa minha onda de “solterismo”. Dizem que toda regra tem sua exceção, e me baseei nisso para começar minha pesquisa. Não tem nada a ver com príncipe encantado ou alma Gêmea, isso não existe. O que existe é paciência e disponibilidade para amar. Brega, não? Também achei! Mas é isso. Se estamos em um bom momento, até o seu Madruga pode ser um bom partido. Aí vai de gosto, Ne! Dona Clotilde que o diga. Mas quem garante que ele não tem mesmo suas qualidades? No fundo é de bom humor que toda mulher gosta, e isso ele tem de sobra! Enfim, deixando o galã de lado, o que quero dizer é que, talvez, nós, solteironas de plantão, estejamos fazendo de tudo para não se apaixonar, mas um pouco sem perceber. Dá para entender? A gente começa a colocar defeito até na lente que não ta bem colocada no olho do rapaz. A unha ta grande, o cabelo despenteado demais (no meu caso, arrumado demais). A roupa ta muito certinha e ele parece ser excessivamente educado.
É, um bando de besteira, NE?! Mas quem nunca dispensou alguém por pelo menos um desses “probleminhas”. É, gente... E não adianta dizer que o beijo não era bom, que ele não sabe abraçar direito. Vai ver você nem percebeu que o menino bem que estava tentando quebrar o gelo que você construiu só para afastá-lo. Aí qualquer um perde a cabeça (no caso, a língua). Mas se estamos assim, com a idéia fixa de um amor platônico que não deu certo, isso vai acontecer mesmo. O negócio é deixar o estilo marido de Jolie para lá e abrir os olhos para os sapos que temos mesmo. Afinal, todo mundo tem um lado bom. Ou, pelo menos, quase todo mundo. Não podemos esquecer as tais exceções. Então, como boa menina que é, espere um cortejo de um cara legal e fique atenta aos detalhes. Com o coração aberto, a gente encontra mais rápido um cara que queira se vestir bonito e alugar um cavalo branco!
sábado, 18 de setembro de 2010
Covardia
Confesso que preferia nem tocar nesse assunto. Mas sabe quando parece que vai explodir? O coração fica apertado, as mãos suando frio e a boca sem um pingo sequer de saliva... Me sinto impotente diante das lágrimas dela. É como se todo o meu tamanho se reduzisse à nada. Uma formiga fica maior que eu. Eu fecho os olhos e posso me sentir indo embora, embora para um lugar que eu não faço idéia de onde seja. Não tem começo, não tem meio, nem ao menos um fim existe. É um lugar onde as coisas meio que somem, os sentidos desaparecem e sua mente se enche de vento. Um verdadeiro vácuo. Mas, mesmo com tudo tão mórbido, eu preferi me esconder aqui. Porque mesmo que não tenha risos descontrolados e gente conversando alto, aqui eu não consigo chorar. Eu até tento, mas as lágrimas parecem se congelar antes de deixarem meus olhos. Eu queria ter mais coragem que medo, queria saber o que fazer e me sentir forte o bastante para ir embora, mas não posso abrir meus olhos, a luz é forte demais e algo parece me puxar de volta pro escuro. Eu já não sei o que fazer com tanta agonia. Ela fica inquieta e eu me desespero, mas não sei o que dizer. Talvez eu feche os olhos por não conseguir vê-la triste. E eu sei que isso é errado. Eu deveria acordar para acordá-la também. Eu não deveria gritar, deveria entende-la, eu sei. Mas a genética não deixa. O que a aborrece acaba me atingindo também. Quando ela fica chata eu fico chata e meia. Quando ela é impaciente, eu deixo a calma de lado. Tenho medo de mim quando tenho medo dela. Mas tudo o que eu queria era ter força suficiente para nos levar para casa, de volta para o lugar seguro. Eu queria colo, mas não consigo enxergá-la daqui. Mesmo sabendo que eu sou tudo o que ela tem, eu me afastei e só agora percebo minha covardia, mas eu não consigo voltar.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Você sabe qual é o título
Amor. Sublime amor. Não importa com o que o comparamos, ele sempre será o mais lindo.
Tem o de mãe para filho, de filho para mãe. O incompreendido, o não correspondido, o que nunca nem descoberto foi.
Tem o discreto, o indiscreto. O incontrolável, o imperceptível.
Tem aquele que nasce com o tempo e o que já arde à primeira vista.
Tem amor doido e normal até demais. O inconstante e o que parece ser ideal.
Mas a verdade é que todos são amores. O brilho dos olhos sempre denuncia a verdade que ele tem.
Grandes e, enfim, complicados amores.
Todos nos arrancam lágrimas, sejam elas por preocupação, decepção, sei lá!
Mas a verdade é que todos nos trazem sensação de plenitude, força e segurança. Risos incontroláveis, lágrimas que nem precisam mais ser anunciadas, elas chegam chegando.
E mesmo sabendo de todos os riscos, tudo o que mais queremos na vida é nos apaixonar. Nem que seja pelo sol que nasce brilhando toda manhã, pela lua que nos deixa com um ar meio bobo, ou pelo homem que escolhemos para viver ao nosso lado para o resto da vida.
Nos apaixonar de novo a cada dia e gritar que o amor é bom mesmo, mesmo que tenham loucos mentirosos que digam o contrario.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Palavras não são só palavras
Percebi agora, antes de dormir, que sou cada letra que preenche o papel. Sou às vezes virgula, por outras poucas me faço ponto. Sou parênteses, colchete, mas prefiro me fazer reticências. Paro e continuo quando quiser, quando der. Sou do A ao Z, da prosa à poesia. Quando feliz, me faço crônica. Com preguiça, sou uma frase, não completo um Parágrafo. Sou e vivo de palavras, poucas, exageradas ou só meias palavras. Podem ser ditas nas entrelinhas ou aquelas que vem bem explicadas. Porque sou quem decido ser, no capítulo que me couber. Me desenho desordenada, rabiscada, às vezes nem ao menos sou entendida. Quando apaixonada, me faço bela, bem pintada, colorida. Não importa o idioma, eu me comunico. Sei falar de amor, despedida, volta, amizade. Eu sou cada pingo de i. Sou a volta do g. Tenho os traços do T e a dificuldade do D. Eu chamo, peço silêncio e não preciso que me leiam alto. Se faço ou não sentido, não importa. Atinjo exatamente quem eu quero. Para os bom entendedores a metade de mim já basta. Sou ousada, calma ou prepotente. Depende de cada dia, porque sou mutável, sou mudança, sou um verbo que não vive de gerúndio. Eu sou cada gota que preenche o papel, sou a data, rodapé, cabeçalho. Eu sou tudo aquilo que cabe nesta folha em branco. Vou do nada ao tudo em segundos e me desmancho com um apertar de teclas, com o balançar da borracha. Sou quem eu quero e preciso ser. Sou o que escrevo ser!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Eu?
Cansei! Meus sonhos são só sonhos, perdidos em um caminho que ninguém percorre. Minhas lágrimas são só um liquido salgado que insiste em correr em meu rosto, desrespeitando qualquer pacto que fiz comigo mesma. Minhas mãos são mãos sem carinhos. Meus olhos, apenas dois mundos sem rumo. Minha raiva é meu tempero, meu sorriso minha criptonita.
Mesmo sabendo que meus defeitos são só defeitos, e não minha condenação. Sou meu tudo, não tenho nada. Minha certeza já foi embora, assim que minha consciência chegou. Uma noite é só uma noite, mesmo que marque toda uma vida. Meus tropeços são minha escola e meu orgulho meu maior castigo.
Tenho medos que parecem sonhos e sonhos que não passam de sonhos. Porque meus sonhos são só sonhos e minha realidade já nem existe. Meus pensamentos são devaneios, que sem saberem onde ir, ficam soltos no espaço. Meu espaço é uma página em branco, que quando se desenha me mostra um mundo. Um mundo que me encontra, mesmo diante de tantas incertezas, mesmo com tantas confusões.
Uma pedra não é mais só uma pedra, é a parte de uma estrada. Uma estrada não é mais só uma rua, é minha certeza de escolha, meu livre arbítrio. Um caminho, um adeus e um destino. Não posso escolher o que quero, pois minha direção não depende de mim. Sou refém do meu olhar, que se encanta com mãos alheias. Eu amo o desamoroso, eu canto mentiras que meu coração inventa para não chorar. Eu sonho sonhos que são só sonhos, pois tenho medo do que não conheço, tenho medo de acordar.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Lucidez
Gosto da minha vida pacata. Sem muitas regras, mas também longe de grandes emoções. Não sei se a melhor palavra para defini-la é certa ou, quem sabe, chata! Meu um é um, nem mais nem menos. Não gosto de somas complicadas ou adições que possam me tirar muito do que não tenho. Pensar é o meu forte que só me enfraquece. Me afogo em esperanças ilusórias e realidades nem tão reais assim. Mas finjo que não percebo nada. Minto sem perceber, quando vejo já foi. Viajo quilômetros sem sair do lugar e acho que nada mais mudou. Uma vidinha normal que esconde fantasias mais que fantiosas. Tenho um lugar só meu, onde ninguém consegue chegar, nem eu. Quando a normalidade me chega e a culpa de ser tão igual me abandona, eu imagino como seria se eu pudesse arriscar um tiquinho mais. Mas, quando durmo, esqueço. Não lembro mais de sonhos que um dia tive e besteira que um dia, assim sem querer, murmurei. Acho desculpas para dizer o quero e depois procuro razões para não tê-las mais. Quando dormir, eu esqueço que um dia o meu tudo se fez nada e meu riso virou lágrima. Porque ainda não sei quem eu sou. A vida que tenho. Os medos que se transformam. Ainda não sei pra onde irei ou de onde eu realmente vim. Minha lucidez vai embora quando o sono vem. Quando dormir eu esqueço que vivo sonhando.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Poema Enjoadinho
Vinícius de Moraes
Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
Já não existe
O que eu quero já não existe mais. Eu só queria ter tido tempo de dizer adeus, mas tudo foi rápido demais. Nossos passos tomam dimensões que as vezes não esperávamos. Do grão de areia tiro montanhas. Dos meus risos, lágrimas.
E se eu sentir saudade? Tudo o que posso fazer é fechar os olhos e esperar que meus sonhos ainda tenham vestígios de onde você está. Seu rosto e sua fala engraçada não saem da minha cabeça.
Torço por um encontro, rezo por mais uma palavra, que valha mais do que quaisquer palavras. O que eu quero? Já não existe mais. O tempo levou, me deixou lembranças, marcas de um futuro incerto, que se desmanchou no primeiro balanço.
