Percebi agora, antes de dormir, que sou cada letra que preenche o papel. Sou às vezes virgula, por outras poucas me faço ponto. Sou parênteses, colchete, mas prefiro me fazer reticências. Paro e continuo quando quiser, quando der. Sou do A ao Z, da prosa à poesia. Quando feliz, me faço crônica. Com preguiça, sou uma frase, não completo um Parágrafo. Sou e vivo de palavras, poucas, exageradas ou só meias palavras. Podem ser ditas nas entrelinhas ou aquelas que vem bem explicadas. Porque sou quem decido ser, no capítulo que me couber. Me desenho desordenada, rabiscada, às vezes nem ao menos sou entendida. Quando apaixonada, me faço bela, bem pintada, colorida. Não importa o idioma, eu me comunico. Sei falar de amor, despedida, volta, amizade. Eu sou cada pingo de i. Sou a volta do g. Tenho os traços do T e a dificuldade do D. Eu chamo, peço silêncio e não preciso que me leiam alto. Se faço ou não sentido, não importa. Atinjo exatamente quem eu quero. Para os bom entendedores a metade de mim já basta. Sou ousada, calma ou prepotente. Depende de cada dia, porque sou mutável, sou mudança, sou um verbo que não vive de gerúndio. Eu sou cada gota que preenche o papel, sou a data, rodapé, cabeçalho. Eu sou tudo aquilo que cabe nesta folha em branco. Vou do nada ao tudo em segundos e me desmancho com um apertar de teclas, com o balançar da borracha. Sou quem eu quero e preciso ser. Sou o que escrevo ser!
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Eu?
Cansei! Meus sonhos são só sonhos, perdidos em um caminho que ninguém percorre. Minhas lágrimas são só um liquido salgado que insiste em correr em meu rosto, desrespeitando qualquer pacto que fiz comigo mesma. Minhas mãos são mãos sem carinhos. Meus olhos, apenas dois mundos sem rumo. Minha raiva é meu tempero, meu sorriso minha criptonita.
Mesmo sabendo que meus defeitos são só defeitos, e não minha condenação. Sou meu tudo, não tenho nada. Minha certeza já foi embora, assim que minha consciência chegou. Uma noite é só uma noite, mesmo que marque toda uma vida. Meus tropeços são minha escola e meu orgulho meu maior castigo.
Tenho medos que parecem sonhos e sonhos que não passam de sonhos. Porque meus sonhos são só sonhos e minha realidade já nem existe. Meus pensamentos são devaneios, que sem saberem onde ir, ficam soltos no espaço. Meu espaço é uma página em branco, que quando se desenha me mostra um mundo. Um mundo que me encontra, mesmo diante de tantas incertezas, mesmo com tantas confusões.
Uma pedra não é mais só uma pedra, é a parte de uma estrada. Uma estrada não é mais só uma rua, é minha certeza de escolha, meu livre arbítrio. Um caminho, um adeus e um destino. Não posso escolher o que quero, pois minha direção não depende de mim. Sou refém do meu olhar, que se encanta com mãos alheias. Eu amo o desamoroso, eu canto mentiras que meu coração inventa para não chorar. Eu sonho sonhos que são só sonhos, pois tenho medo do que não conheço, tenho medo de acordar.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Lucidez
Gosto da minha vida pacata. Sem muitas regras, mas também longe de grandes emoções. Não sei se a melhor palavra para defini-la é certa ou, quem sabe, chata! Meu um é um, nem mais nem menos. Não gosto de somas complicadas ou adições que possam me tirar muito do que não tenho. Pensar é o meu forte que só me enfraquece. Me afogo em esperanças ilusórias e realidades nem tão reais assim. Mas finjo que não percebo nada. Minto sem perceber, quando vejo já foi. Viajo quilômetros sem sair do lugar e acho que nada mais mudou. Uma vidinha normal que esconde fantasias mais que fantiosas. Tenho um lugar só meu, onde ninguém consegue chegar, nem eu. Quando a normalidade me chega e a culpa de ser tão igual me abandona, eu imagino como seria se eu pudesse arriscar um tiquinho mais. Mas, quando durmo, esqueço. Não lembro mais de sonhos que um dia tive e besteira que um dia, assim sem querer, murmurei. Acho desculpas para dizer o quero e depois procuro razões para não tê-las mais. Quando dormir, eu esqueço que um dia o meu tudo se fez nada e meu riso virou lágrima. Porque ainda não sei quem eu sou. A vida que tenho. Os medos que se transformam. Ainda não sei pra onde irei ou de onde eu realmente vim. Minha lucidez vai embora quando o sono vem. Quando dormir eu esqueço que vivo sonhando.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Poema Enjoadinho
Vinícius de Moraes
Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
Já não existe
O que eu quero já não existe mais. Eu só queria ter tido tempo de dizer adeus, mas tudo foi rápido demais. Nossos passos tomam dimensões que as vezes não esperávamos. Do grão de areia tiro montanhas. Dos meus risos, lágrimas.
E se eu sentir saudade? Tudo o que posso fazer é fechar os olhos e esperar que meus sonhos ainda tenham vestígios de onde você está. Seu rosto e sua fala engraçada não saem da minha cabeça.
Torço por um encontro, rezo por mais uma palavra, que valha mais do que quaisquer palavras. O que eu quero? Já não existe mais. O tempo levou, me deixou lembranças, marcas de um futuro incerto, que se desmanchou no primeiro balanço.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Rumo ao hexa, em 2014
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Se a carapuça servir
Eu preciso que me diga exatamente o que quer. Sem rodeios, me fale de onde quer começar. Ainda não aprendi a ler as pessoas com a mesma facilidade que aprendi a me deixar ser lida. Tenho mais defeitos do que imagina, mas nunca fui omissa ao ponto de te deixar acreditar em sentimentos incertos. O meu sim nunca foi talvez e meu não sempre teve ar de negação. Eu pedi escolhas e você só me dava mais opções. Enquanto eu procurava segurança, você sempre se esquivava. Tive medo, mas minha coragem ultrapassou seus limites. Eu iria onde disse que iria. Namorada? Nunca fui. Na verdade nunca soube que nomenclatura usar. Eu, para falar a verdade, sempre achei que fosse mais um passatempo. Aí, boba como sempre, acreditei que a situação mudaria. E fui naquela de cobrar conseqüências diferentes de um fato que nunca mudou. Calei palavras que precisavam ser ditas por puro medo de falar demais. Enquanto isso, meus ouvidos escutavam a mesma ladainha que eu própria havia ensaiado em frente ao espelho. Fui o que fui e disse quase tudo o que eu queria dizer! Sem contar com esses impasses, esse medo de palavras fortes, eu deixei claro de onde vinha e para onde eu queria ir. Sei que mereço mais do que me deu. Muito mais. Minha paciência durou tempo suficiente para me transformar em uma completa idiota. Não tenho medidas avantajadas, mas tenho cérebro. Um cérebro que obriguei a pensar, mesmo que ele não quisesse. Um cérebro que me levou onde eu já deveria estar a muito mais tempo. Eu agora estou livre daquilo que me prendia a uma liberdade que de mim nunca foi tirada e que eu daria tudo para não ter. Engraçado? Sim. E estranho, no mínimo. Mas essa história não foi de tudo ruim. Sozinha, eu soube aproveitar bons momentos. Você foi um bom ator!
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Você...
sábado, 29 de maio de 2010
O que eu quero
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Uma caneta mágica
Se me coubesse, traduzaria o mundo em minhas páginas em branco.
Daria vida a meus amores secretos com o seimples balançar da minha varinha mágica, minha caneta!
Trocaria alguma horas conturbadas por alguns minutos de pura fantasia.
Eu visitaria os lugares mais lindos de quais já se teve notícias.
Eu iria a terra do nunca e lutaria com o capitão gancho, depois de roubar um beijo do Peter Pan.
Beberia água da fonte da juventude e descobriria os mistérios do paraíso de Alice.
Ah, seu minha caneta fosse mesmo mágica, eu traria de volta quem me faz tanta falta. Adormeceria observando sorrisos e passaria o dia escutando suas histórias.
Com uma varinha mágica eu visitaria meus melhores amigos, poetas que nunca vi de perto, mas que conheço melhor que a palma de minha mão.
Eu iria à lua e voltaria no mesmo dia, depois de passear ao lado do menino dos cachos dourados, o tal príncipe do planeta pequeno.
Escrevendo me sinto mais normal, menos presa àquilo que a forjada sanidade da sociedade impõe. Eu viajaria em minhas palavras. Viveria e morreria para viver de novo. Contaria o que ninguém sabe, sem medo de errar. Eu conheceria o irreconhecível.
Meus planos seriam mais que simples planos, seriam projetos em andamento. Minhas agonias seriam lembranças. Meus amores não seriam preocupações.
Não existiria medo, saudade ou julgamento. Eu faria o que tivesse vontade de fazer. Caso nada desse certo, eu apagava, rasgava o capítulo e começava tudo de novo, com o maior prazer.
Meu maior objetivo seria a felicidade constante. Eu deixaria de lado a ideia de que ela não existe.
Eu faria filmes ao lado dos meus maiores astros de cinema. Casaria (de verdade) com meu marido (Tata entende). Eu faria parte do elenco do meu seriado predileto. Falaria inglês melhor que qualquer um e teria aulas de guitarra com o rei do rock.
Eu acabaria com a fome no mundo inteiro e todos teriam onde morar.
Se eu pudesse, escreveria pra sempre para a vida nunca ter final. Eu criaria novos parágrafos, mais capítulos.. tudo para que fosse possível continuar escrevendo!
