quarta-feira, 27 de maio de 2009

Semana da solidariedade

A Semana da Comunicação também abriu espaço para a solidariedade. Alunos de Comunicação Social, tanto jornalismo, quanto publicidade, aproveitaram o espaço da SECOMUNICA para porem em prática um projeto pensado em sala de aula. A disciplina da professora Luiza Mônica, agência de comunicação comunitária, procura promover todo semestre um ato diferente de cidadania, lembrando aos comunicadores o seu papel com o social.
Nesse semestre, não foi diferente. Ontem, início da Semana da Comunicação, foi instalado, em frente ao auditório do bloco K, um espaço para coleta de cadastros para a doação de medula óssea. A iniciativa partiu dos alunos, que se organizaram, aprendendo sobre o assunto e produzindo material de incentivo à doação. Os alunos assistiram palestras sobre o tema e ganharam camisetas para a divulgação do ato.
Segundo a aluna Carol Curvello, os estudantes pretendem conseguir pelo menos 140 novos cadastros. Para a coleta da amostra não é necessário que o doador esteja em jejum. Qualquer pessoa, de 15 a 88 anos, com boa saúde pode doar. Os cinco ml de sangue são retirados para a avaliação de compatibilidade o possível doador e o paciente. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a chance de encontrar uma medula compatível é de uma em cem mil. Por isso, o espaço para a coleta da amostra de sangue estará montado novamente amanhã, quarta-feira. Participe.

Afinal, quem é o dono?

Usar a TV como forma de se atualizar sobre o mundo é um hábito totalmente normal. Hoje em dia, ligar a televisão e assistir a novela, ou escutar as principais notícias do dia faz parte da rotina do cidadão brasileiro. Segundo dados do IBGE, o número de casas com aparelho de TV chega aos 90%, ficando à frente até do aparelho de geladeira. Isso significa que esses 90% da população tem acesso a mais de 100 canais abertos toda vez que se ligam na telinha, ou seja, não precisam pagar nada para assisti-los.
Segundo sites de pesquisa, os canais abertos ganharam esse nome com a chegada da TV por assinatura, onde a empresa controla o sinal através de uma senha, que só é gerado para os clientes que necessariamente pagam uma quantia mensal para a utilização do serviço. Já a TV pública funciona de uma maneira diferente. As emissoras como Globo e SBT, por exemplo, são concessões públicas. Tratam-se de uma autorização apresentada pelo Governo Federal às empresas que desejam praticar a transmissão de uma programação via televisão, utilizando o espaço público e seguindo as leis previstas na Constituição.
Segundo o Ministério das Comunicações, o contrato “é celebrado entre a União e o requerente para a exploração dos serviços de Televisão, cuja execução do serviço está vinculada aos termos do edital de concorrência, no qual a entidade foi homologada como vencedora do certame, pelo Presidente da República, através de Decreto Presidencial e teve o ato de outorga deliberado pelo Congresso Nacional. As propostas técnicas e de preços pela outorga, apresentadas pela entidade são partes integrantes anexadas ao contrato.”
A
Lei nº 4.117/62, art. 33, determina que cada concessão dure quinze anos, podendo ser renovado por um período igual. Além disso, de acordo com a assessoria do Ministério das Comunicações, a emissora passa por uma fase experimental de seis meses de transmissão. Para continuar atuando e, depois do término dos primeiros quinze anos, ganhar a renovação do contrato, a empresa deve obedecer algumas regras constitucionais. Durante a concessão, a emissora deve privilegiar a educação, a cultura nacional e regional no conteúdo da programação. No entanto, com o descumprimento da lei, o governo deve esperar o término da outorga, de quinze anos, para que o Congresso vote o cancelamento do serviço, como prevê a constituição.
Agora que já sabemos que essas famosas redes de televisão ocupam espaços públicos e que devem atender interesses ligados à cidadania para continuar atuando, pergunto: quantas notícias de concessões caçadas já leram? Não devem ter sido muitas. Isso ocorre devido à falta de informação da população, que por muitas vezes não saberem que qualquer pessoa pode acompanhar a validade das concessões das emissoras de televisão pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), acabam não correndo atrás de seus direitos, cobrando uma programação que tratem de interesse público.
A dona de casa Terezinha de Jesus, de 72 anos, só assiste canais abertos. Ela argumenta, “A Globo completa 40 anos e nunca pensei que, para continuar atuando, ela precisasse renovar o contrato. Para mim, o Marinho já era o dono da Rede Globo”. Terezinha é uma das inúmeras pessoas que comete esse tipo de engano, por estarem acostumadas a assistirem sempre as mesmas emissoras, há anos.
Mas quem acha que essa confusão não atinge os comunicadores, engana-se. Taís Calado, 20 anos, estudante do quinto semestre de jornalismo, afirma, “Eu sabia que essas emissoras ocupam lugar público, mas não tinha o conhecimento sobre o período que essas redes têm para ficar no ar e, muito menos, que nós, cidadãos comuns, podíamos acompanhar esse processo. Acho que falta maior divulgação sobre essas coisas, mas creio que as TVs abertas não estejam muito interessadas em anunciar notícias desse tipo”.
A verdade é que a impunidade quanto a renovação e vencimento dos prazos de atuação acaba passando à população a idéia de que os canais abertos são propriedades de figuras conhecidas, como Silvio Santos ou Roberto Marinho, por exemplo.
O processo da concessão
A assessoria do Ministério das Comunicações garante que o tempo que um processo pode durar não costuma ser o mesmo. A via crussis do processo é longa.
A primeira etapa com o pedido da concessão é avaliado pelo Ministério das Comunicações que, em seguida, encaminha o processo para a Presidência da República. Depois disso, a documentação passa a ser avaliada no Congresso Nacional, sendo primeiramente analisadas pela Câmara dos Deputados e Comissões de informática, Ciência e Tecnologia, Informática e, finalmente, de Constituição e Justiça. Depois da Câmara, é a vez do Senado analisar o processo. Por fim, é assinado um decreto legislativo que é encaminhado à Casa Civil e publicado no Diário Oficial da União.


Meu amigo tá na tevê

De segunda a sábado a estória é sempre igual. Pontualmente, ás 19h, escuto a mesma reclamação, caso o jornalista responsável pela apresentação do jornal não atenda pelo nome esperado. Na verdade, nunca entendi muito bem o porquê de tanta simpatia com um ancora que divide opiniões no mundo jornalístico. Famoso por seus comentários ousados e sua seriedade inquestionável, o jornalista da rede globo nem imagina a reação tida por Nayara toda vez que critica alguma coisa na televisão.
A garota, que sai logo cedo para a faculdade, cursa administração há dois anos. Quando chega em casa para o almoço, não tem muito tempo para sentar-se à frente da tevê para acompanhar o noticiário. À noite, quando chega do trabalho, a primeira coisa que faz é correr para sala e se juntar à família que se reúne todos os dias para observar a segunda edição do telejornal com as principais notícias do dia. E quando, por algum motivo, Alexandre Garcia não ocupa a bancada, a frase é sempre a mesma.
- Ah não! Cadê o Xandão?
Já tentei discutir e colocar na cabeça dela que ele nem sempre pode apresentar o DFTV, mas que, se ela tiver sorte, quem sabe o veja no Jornal Nacional. No lugar do charmoso William Bonner e sua simpática esposa.
O fato é que a imagem dos apresentadores de telejornais acaba conquistando sucesso e muitas vezes são comparados a celebridades. O público, por sua vez, tende a estabelecer uma intimidade com o profissional que diariamente entra em sua casa sem precisar pedir licença. Eles estão ali, nas más ou nas boas notícias. E, talvez pelo aparelho de tevê ocupar quase 90% dos lares brasileiros, essa relação entre espectador e jornalista torna-se mais evidente que nos outros meios.
Já perdi a conta de quantas vezes o telefone tocou em meio a notícias trágicas. Ao telefone freguesas da vovó querendo um blazer com a gola igual a do casaco da Fátima Bernardes ou um lenço com o corte do que está sendo usado pela Ana Paula Padrão no outro canal.
Acaba que o repórter ou apresentador passa a ser como um conhecido que lhe conta algo importante, dita moda e cortes de cabelo. Uns com mais credibilidade que outros. Outros com mais afinidades que um. Mas todos conhecidos demais para serem simples intermediadores entre o fato e o telespectador.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Saudade

Eu parei pra pensar. Percebi que as coisas ainda não tinham se ajeitado em minha cabeça. Talvez os danos de todo esse turbilhão de bobagens tenha me afetado muito mais do que eu imagino. Mas a verdade é que eu estou mais acostumada a mentir do que eu mesma imaginava. Eu finjo que está tudo bem, finjo que não estou chateada, finjo que tanto faz e eu finjo que sou forte. Resta saber se eu sou a única que acredito em todas essas mentiras. Porque querendo ou não eu acredito. Tudo o que eu precisava agora, 13:19 do dia 26 de maio de 2009, era de um abraço. Eu dispensaria o dinheiro e dispensaria tudo o que julgava importante até uns dois minutos atrás. Eu sinto mais falta dela do que mesma previa. Porque ela se fez importante não só quando eu preciso extravasar e cantar uma música qualquer. Não é só pelas tardes de karaokê, nem pelas lições de matemática. É porque, por incrível que pareça, é pra ela que conto minhas coisas, apesar de seus 11 anos. E parece que ela aprendeu a ler minha mente. Ela é quem desperta meu mau humor mais saudável e quem desenterra minhas risadas independente da hora. Ela é minha melhor companhia. Minha mais dolorida saudade. E só de pensar que o tempo pode passar e apagar tudo o que eu levei anos para ganhar parece que uma parte de mim vai embora. Eu me embrenho em um monte de confusões e tento não achar a explicação. Eu tento me enfiar em outros problemas fingindo que tudo isso é passageiro. Mas eu não sei até que ponto eu posso agüentar. Ela se fez a prima mais importante e me mostrou como deve ser o amor de mãe pra filha. Meu orgulho na aula de inglês. Meu estresse em matéria de português. Quem aceita apanhar por não entender que mim não conjuga verbo. E quem não aceita ser passada pra trás. Quem faz meu remédio e me diz que sou linda se eu estiver chorando, com dor de cotovelo. Quem me aconselha quando levo um toco e me diz que eu devo partir pra outra. Ela é a estrela que mais brilha no meu céu particular. E parece que agora tudo o que me resta são lembranças. Quando ela crescer eu espero poder explicar tudo o que aconteceu e dizer que a culpa não foi minha. Eu daria tudo pra passar de novo todas as minhas tardes com você e faria qualquer coisa pra te escutar reclamar de todos os filmes que eu alugo. Porque eu te amo e não consigo imaginar como isso acabaria. Te amo incondicionalmente, constantemente, eternamente...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Desconfiança

Eu procuro não me importar com as coisas erradas. Talvez isso, algumas vezes, pareça desinteresse da minha parte, ou quem sabe um excesso de bobagem. Eu já percebi que o fato de confiar nas pessoas nem sempre nos traz um bom resultado, não por sermos traídos pela confiança gratuita, mas sim pela idéia que os outros fazem a nosso respeito. E o que deveria ser uma dádiva, torna-se um medo. Medo do julgamento, que, por vezes, é tão desenfreado que ultrapassa a barreira do comum. Eu já me deixei intimidar por esses parâmetros que encontro por aí, diariamente, constantemente. E o meu medo de errar venceu minha vontade de fazer certo. Talvez realmente seja mais difícil fazer o certo. Talvez seja mais cansativa a busca pelo lado bom de cada um, ou quem sabe só seja menos engraçado. Já tentei, por vezes, entender qual é o sentido que vêem em todo esse descaso com a essência de cada um. A facilidade que temos de enxergar uma pessoa simplesmente pelo que aparenta ser. A insistente preguiça de procurar ir um pouco mais a fundo. O medo de se entregar aos seus pressentimentos. O receio de criar expectativas, de se frustrar. Eu nunca consegui entender porque temos tanto medo de nos entregar a um olhar, mas entregar-se de verdade, de coração. A resposta talvez seja Tempo. Arrisco afirmar, que o medo da humanidade como um todo é não ter tempo para arriscar e aproveitar tudo o que a vida tem pra oferecer. E por isso, quem sabe, não nos permitimos viver nada. Pois não somos capazes de conhecer nada, não nos permitimos o tempo bastante para realmente conhecer algo. O que fazemos é nos doar, sim, nos doamos, mas só até certo ponto. Existem segredos que só nós conhecemos. Por medo de nos despir totalmente aos olhos de quem não teria a pureza de perceber quanta beleza você carrega dentro de si. E aí sim eu consigo explicar de onde vem o medo da confiança gratuita. O egoísmo, mais uma vez, se faz presente. O medo é de não ser compreendida, é de não saberem receber algo que você fez com tanto sentimento. Não nos doamos totalmente não só pela gente, mas por não confiarmos, mesmo que inconscientemente, que o outro nos corresponderia. E como é chato não ser correspondido. As noites que passamos sozinhos sem entender porque nossos pensamentos se repetem inúmeras vezes, nos trazendo sempre o mesmo rosto que só se faz presente em pensamentos confusos. A ansiedade que acompanha a esperança. A incerteza. Tudo isso se confunde devido a presença de um único medo. O medo de se abrir, de sofrer. Ainda não aprendi a combater isso, porque talvez eu seja a maior vitima desse medo desenfreado. Enquanto escrevo essas palavras mal colocadas, eu continuo parada no mesmo lugar. Com pensamentos que ainda não deixaram a monotonia, eu me entrego ao medo, me acovardo, por não conseguir enxergar a fundo o outro. Mas eu preciso dessas respostas. Sempre precisaremos. A verdade é que nunca poderemos agir sozinhos. Não adianta caminharmos, se no final não tiver alguém para segurar nossa mão. Aqui, parada no mesmo lugar, eu consigo enxergar alguém parado do meu lado. Alguém que compartilha os mesmos medos. O que eu posso fazer é emitir sinais. Falar da vontade que tenho de abandonar todos esses receios e seguir em frente. Conhecer a vida realmente, profundamente. Só preciso de um olhar mais singelo, um sorriso mais doce, algo que me faça entender que esse é seu desejo também. Nada muito explícito, pois meu velho conhecido ainda me faz companhia. Nunca consegui me afastar do medo. E ele talvez me proteja de uma série de coisas, mas eu sei que ele me impede de ver outra série de coisas. Enquanto te emito os sinais, eu rezo para que eu seja capaz de entender suas possíveis deixas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Aonde vamos parar?

Finalmente as férias chegaram. E eu, mais uma vez sem ter o que fazer, resolvi caminhar um pouco por aí, sem destino. O incrível é que depois de alguns minutos eu já tinha me perdido, mesmo sem ter aonde chegar. Me perdi em pensamentos que até agora não acharam uma explicação.
Será que um dia todos vão perceber o que estamos fazendo com o planeta? Não quero pagar de certinha, não tenho vocação pra isso. Mas o céu está coberto por nuvens cinzas e isso parece não significar nada pra ninguém. Catastrofes que antes pareciam nunca ser nossa preocupação estão desabrigando centenas de pessoas.
Enquanto uma ou duas pessoas se preocupam, outras milhares fingem que isso é um mau passageiro. Mas o caso é que não importa, no final, todos serão os prejudicados, independente de cor, religião ou classe social.
Mais uma vez seremos obrigados a perceber, parece-me que à força, que somos todos iguais. Vivemos todos no mesmo mundo, respiramos o mesmo ar e ainda compartilhamos os recursos do mesmo planeta. E enquanto a maioria estiver caminhando pro lado errado, é pra lá que todos iremos. Não adianta apenas perceber o erro, é preciso concertar, e concertar rápido.
As conseqüências para as atitudes desenfreadas e egoístas já estão aí, basta abrir os olhos e assistir os noticiários. O mundo pede socorro, será que você já ouviu?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008


Nenhum escolha é eterna.
Um dia eu falei sobre os meus caminhos, hoje eles já não são mais os mesmos.
Eu agora sinto saudade, mas já não é do mesmo sorriso.
Não digo que tenham sumido todas as lembranças que eu guardava dentro de mim sobre flores que eu guardei comigo. As vezes eu ainda me deparo com músicas que pareem começar a tocar do nada, como se alguém quisesse que eu lembrasse disso, mas só por lembrar. Ainda solto gritos por não saber ao certo o de onde vim. Mas eu hoje sei pra onde quero ir. Agora novos medos me tomam, medos que não me apovaram, apenas me deixam insegura. Uma insegurança que nem ao menos me impede de dizer o que tenho a dizer. São sentimentos que não alcançam o extremo e que talvez por isso não me façam mal. Eles apenas existem e me fazem sentir que as águas mudaram a direção. Talvez isso nem vá tão longe assim, ou quem sabe vá. Mas isso não me importa, porque a maneira como tudo aconteceu, a forma como o caminho se desviou, fez com que eu tivesse motivos para sentir saudade dos passos que eu dei até aqui, os meus primeiros passos nesse novo caminho. Mesmo que tudo acabe agora, minhas atuais lembranças já tem um lugar reservado dentro de mim.
" Eu só penso em você, só penso em você, só penso em você..."

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mesmo com incertezas

Saber a hora exata de parar!!

;)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O mundo é o mesmo


Acontecem coisas que por mais que tentemos explicar continuarão sem explicação. Como existirão pessoas que por mais que a gente tente esquecer continuarão sendo inesquecíveis. Pessoas que de alguma forma te ensinaram alguma coisa. Pessoas que te deram um pouco delas, e ajudaram a construir quem você é agora. Mas elas passam, o que não significa que elas precisam ser esquecidas, pelo contrário, elas passaram, mas merecem ser lembradas, pelas coisas maravilhosas que deixou com você. São momentos que escolheu passar com você. Foram milhares de sorrisos que dedicou única e exclusivamente a você. É como se tivesse mesmo que aparecer alguém pra lembrar você qual é a sua importância. Alguém pra te explicar que as coisas podem ser maravilhosas se você confiar em alguém que confie em você. Se você aceitar essa relação de troca, fechar os olhos e permitir que a experiência lhe transforme e lhe traga maturidade. Porque cada lágrima que um dia eu deixei cair, me fez aprender que os meus sorrisos são muito mais valiosos do que eu imaginei. Porque eu aprendi que não importa se uma pessoa te decepciona, ela sempre merece uma segunda chance. A gente pode achar que não tem nada a oferecer, mas quando nos permitimos amar de verdade a gente vê o quanto mudamos o outro e o quanto há de nós nele. Nascem coisas que só os dois são capazes de explicar, surgem momentos dos quais só os dois podem rir, e sempre existirão lembranças que só os dois vão guardar, independente do tempo. A alegria que alguém lhe fez encontrar sempre estará aí dentro, em algum lugar, e basta a gente “se deixar sentir”. Às vezes por medo da saudade, preferimos continuar assim, quietos, sem procurar aquilo que um dia nos fez sorrir. Mas, a saudade, só sinto do que foi bom, e se teve que passar, a única coisa que eu posso fazer é lembrar, mas lembrar sem medo, apenas com saudade. Porque as músicas sempre me dirão as mesmas coisas, os nomes sempre me trarão a mesma sensação e as flores para sempre me darão o mesmo perfume, e não adianta eu fechar os olhos, basta mudar a interpretação. O mundo é grande demais para se tornar insignificante. Eu prefiro continuar vendo os detalhes, mesmo sabendo que uma vez ou outra eles me farão chorar, mesmo tendo a consciência de que as coisas que passam já foram e não costumam voltar. Por mais que a gente tente explicar o futuro e tente acreditar que um dia as coisas se ajeitarão novamente o tempo não volta atrás, e as horas não te esperam até que se acostume a viver de uma maneira nova. É como se cada uma dessas lembranças te empurrassem agora para outras novas lembranças, como cada sinal te revelasse outro sinal, como se tuas expectativas anteriores te abrissem os olhos e revelassem que elas podem sim se concretizar, nem que seja tendo outra companhia daqui pra frente. O que temos para ser feito é tentar fazer com o mesmo vento lhe lembre outra coisa além daquilo que já ficou pra trás.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Incoerência

Eu sempre preferi me expressar em momentos de devaneios, talvez me fazendo acreditar que é exatamente nessas ocasiões que o meu eu permiti-se ser tocado, ou quem sabe, pelo menos, observado. E quiçá devido a isso eu me coloque em saia justa. Falando o que teria de ficar guardado, expondo o que nunca deveria ser desvendado. Não pelo fato de ser segredo, mas por tratar-se de algo que não foi, nem se quer, pensado. Como se eu me visse em um momento de embriaguez, seja ela qual for, onde tudo o que precisa sair desponta, sendo verdade analisada ou uma verdade passageira, algo que se mostrava real naquele momento e que depois de um certo tempo, quem sabe um dia ou dois anos, causa-me um profundo arrependimento. E como calar algo que já foi dito? Como tentar mentir sobre algo que já se foi confessado? Não sei, não saberia explicar nem mesmo aquilo que já expliquei uma vez. Porque me faço de momentos, me entrego à impulsos, que às vezes me fazem bem, mas que outras me tiram o sono por não saber como remediá-los. Por vezes eu disse coisas que não sabia existir dentro de mim. Descobri coisas tarde demais, já tentei voltar atrás, mas o caminho se fechou. Já trai minhas palavras com um simples olhar. Já nem me lembro quantas vezes deixei transparecer sentimentos que eu tentava esconder a sete chaves. Hoje, quem sabe, as coisas tenham mudado, não sei se pra pior. Hoje, eu me propago de uma maneira mais verbal. Não solto gritos por aí, apenas me encolho em um canto qualquer e deixo que as palavras cubram uma folha vazia. Não aconselharia ninguém a acreditar no que eu escrevo, pelo menos não em minhas crônicas umbiguísticas, pois sustento-me de algo mutável, algo que se renova, algo que permite-se abandonar uma idéia e logo alcançar algo mais condizente com sua atual realidade. Minhas palavras alimentam-se de pedaços meus, particularidades que permito serem públicas na esperança de que alguém me ajude a entender alguma complexidades que ainda não consegui entender. Escrevo por querer gritar, mas sei que minha voz não iria tão longe. Eu escrevo quando queria falar pra alguém em particular, mas permito-me arriscar que daqui também serei capaz de atingi-lo. Por fim faço um lembrete, só não acreditem nas palavras que aqui escrevo, assim descompromissadamente, pois se não fosse assim que espécie de jornalista seria eu?
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