Daqui da minha janela já não é possível ver seu rosto. O único passo que tu deste seguindo em frente me impossibilitou de continuar tendo a segurança de que a qualquer momento eu poderia gritar teu nome. O medo me tomou completamente, quando percebi que você foi e dessa vez por inteiro. Você me roubou o que ainda me trazia esperança. É como se todas as vezes que eu arrisquei dizer não meu coração soubesse que o sim chegaria mais cedo ou mais tarde. A negação veio e ficou e agora não consigo ver até que ponto ela vai. Eu me estico, tento encontrar com meus olhos o teu olhar. Eu tento fazer minha voz trazer de alguma maneira aos meus ouvidos uma resposta tua. Eu não consigo ver outra saída, meu enquadramento não me permite te perceber. Eu agora prefiro fechar os olhos e ao invés de assistir tudo de fora, parada na minha varanda, eu crio uma realidade totalmente minha onde eu novamente ocupo o lugar de protagonista. Aqui, nesse mundo recém formulado eu consigo perceber que comigo é diferente, por mais que eu tente me igualar. Não importa o quanto eu tenha medo de ser alcançada. O lugar em que me colocaste já é alto o suficiente, daqui ninguém mais me tira. Em minhas fantasias é como se nada mais mudasse o que passou e mesmo assim mudasse tudo. Muda a saudade, e não me deixa ir embora. Faz o meu tratamento continuar igual, mesmo sem poder ser como antes. São incompreensões que aqui eu consigo entender. São irrealidades que parecem ser reais para mim e alguém mais, alguém que aqui eu chamo de você.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Humanidade, é disso que eu sinto falta.
Um mundo onde as aparências gritam mais alto que a solidariedade.
Eu procuro fechar os ouvidos, mas as vozes falam mais alto.
Um bêbado caiu em frente ao caminho que faço para ir comprar linha, pelo sangue no chão, acho que se machucou. Eu vejo nos olhos da minha mãe que ela queria ajudá-lo, quando a lágrima decide deixar de lado a modéstia e correr sua face, eu percebo que realmente se ela pudesse faria algo mais. E por que lembrar só da parte que não lhe agrada? E essa tal parte nem deveria lhe incomodar. Ao beber ele prejudica somente a ele, você nem da família é. Ele nunca lhe faltou com o respeito, nunca lhe fechou a cara. Ele sempre falou com você, por mais enrolada que estivesse sua língua. Você não tem necessidade nem direito de julgá-lo. Em minha opinião o que deveria fazer é ao menos respeitá-lo. Se não quer ajudar, certo! Eu entendo, ou pelo menos tento entender. Mas não me peça pra ouvir calada suas reclamações sobre o rapaz. Um rapaz que nunca nem te chamou de feia. Um ser humano como outro qualquer que pode ter todos os defeitos que forem, mas tem coração. Que tal aprender a estender a mão quando alguém chamar por você? Que tal parar e levar em consideração o melhor lado de cada um, mesmo que esse seja mínimo. Julgue um sorriso bonito, um rosto simpático, distribua elogios e não magoe com palavras quem nunca lhe acusou de nada. Você pode ser uma pessoa ainda melhor praticando a solidariedade.
Um mundo onde as aparências gritam mais alto que a solidariedade.
Eu procuro fechar os ouvidos, mas as vozes falam mais alto.
Um bêbado caiu em frente ao caminho que faço para ir comprar linha, pelo sangue no chão, acho que se machucou. Eu vejo nos olhos da minha mãe que ela queria ajudá-lo, quando a lágrima decide deixar de lado a modéstia e correr sua face, eu percebo que realmente se ela pudesse faria algo mais. E por que lembrar só da parte que não lhe agrada? E essa tal parte nem deveria lhe incomodar. Ao beber ele prejudica somente a ele, você nem da família é. Ele nunca lhe faltou com o respeito, nunca lhe fechou a cara. Ele sempre falou com você, por mais enrolada que estivesse sua língua. Você não tem necessidade nem direito de julgá-lo. Em minha opinião o que deveria fazer é ao menos respeitá-lo. Se não quer ajudar, certo! Eu entendo, ou pelo menos tento entender. Mas não me peça pra ouvir calada suas reclamações sobre o rapaz. Um rapaz que nunca nem te chamou de feia. Um ser humano como outro qualquer que pode ter todos os defeitos que forem, mas tem coração. Que tal aprender a estender a mão quando alguém chamar por você? Que tal parar e levar em consideração o melhor lado de cada um, mesmo que esse seja mínimo. Julgue um sorriso bonito, um rosto simpático, distribua elogios e não magoe com palavras quem nunca lhe acusou de nada. Você pode ser uma pessoa ainda melhor praticando a solidariedade.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Esse assunto não se esgota !
Saudades de quando tudo era diferente. De quando parecia que o tempo não passava, as horas se estendiam e eu nem me dava conta de que o dia terminava e logo depois chegava o sol novamente. Do tempo em que eu vivia sem para pra pensar no que eu fiz ou no que esqueci de fazer. Onde não me importava com o que falava ou muito menos com os quilos a mais.
Saudades de quando você chegava na hora em que tirei pra dormir, exatamente quando o sol também decidia descansar, e sem se importar com a reação da mamãe apenas me abraçava forte. Minhas melhores lembranças são da minha infância, quando tudo o que eu tinha era o suficiente, onde rir era algo comum e a preocupação nem existia. Dos tempos em que eu não via minha mãe chorar, nem o senhor desesperado por causa do dinheiro.
Saudades de quando eu escorregava pelos seus braços por não agüentar mais de sono, saudade das galinhadas, dos almoços apimentados. Saudades das vezes em que eu me contentava com um bloco de papel que o senhor trazia do serviço. Saudade de quando eu cortava o dedo e você dava um beijinho pra sarar. Saudade de você e da mamãe, mas juntos. Eu sinto saudade da minha família, sinto falta do meu pai. Que passava um tempão fora de casa, mas que eu sabia que mais cedo ou mais tarde passaria pela porta. Como eu sinto falta dos teus cabelos cacheados e das vezes que levantou a sandália pra me bater, mesmo nunca ter tido coragem de descê-la. Eu não me importo com as lágrimas que caem no meu rosto, eu sobrevivo a isso, como sobrevivi ao fato de ver o meu único herói virar as costas e escolher outro caminho pra trilhar. Um caminho que parece ser apertado demais, nele não tem espaço pras mesmas brincadeiras, pros meus longos sorrisos, nele não caberia uma a mais. Sei que o que queria ouvir não é exatamente isso, eu deveria fazer força para continuar caminhando ao teu lado. Eu deveria ter força para continuar indo em frente, tentando descobrir quais seriam minhas próximas saudades. Eu deveria entender que o tempo não volta, que eu tenho que levantar a cabeça e apenas tentar entender. Mas o senhor não me ensinou nada disso. E disso eu tenho certeza, porque cada frase já dita, cada sorriso que eu já ganhei do senhor permanece guardado dentro de mim, e por mais força que eu faça essas lembranças não saem daqui. Já faz tempo bastante, mas a minha infância ainda está aqui dentro, esperando o senhor decidir voltar pra que ela possa despertar novamente.
Saudades de quando você chegava na hora em que tirei pra dormir, exatamente quando o sol também decidia descansar, e sem se importar com a reação da mamãe apenas me abraçava forte. Minhas melhores lembranças são da minha infância, quando tudo o que eu tinha era o suficiente, onde rir era algo comum e a preocupação nem existia. Dos tempos em que eu não via minha mãe chorar, nem o senhor desesperado por causa do dinheiro.
Saudades de quando eu escorregava pelos seus braços por não agüentar mais de sono, saudade das galinhadas, dos almoços apimentados. Saudades das vezes em que eu me contentava com um bloco de papel que o senhor trazia do serviço. Saudade de quando eu cortava o dedo e você dava um beijinho pra sarar. Saudade de você e da mamãe, mas juntos. Eu sinto saudade da minha família, sinto falta do meu pai. Que passava um tempão fora de casa, mas que eu sabia que mais cedo ou mais tarde passaria pela porta. Como eu sinto falta dos teus cabelos cacheados e das vezes que levantou a sandália pra me bater, mesmo nunca ter tido coragem de descê-la. Eu não me importo com as lágrimas que caem no meu rosto, eu sobrevivo a isso, como sobrevivi ao fato de ver o meu único herói virar as costas e escolher outro caminho pra trilhar. Um caminho que parece ser apertado demais, nele não tem espaço pras mesmas brincadeiras, pros meus longos sorrisos, nele não caberia uma a mais. Sei que o que queria ouvir não é exatamente isso, eu deveria fazer força para continuar caminhando ao teu lado. Eu deveria ter força para continuar indo em frente, tentando descobrir quais seriam minhas próximas saudades. Eu deveria entender que o tempo não volta, que eu tenho que levantar a cabeça e apenas tentar entender. Mas o senhor não me ensinou nada disso. E disso eu tenho certeza, porque cada frase já dita, cada sorriso que eu já ganhei do senhor permanece guardado dentro de mim, e por mais força que eu faça essas lembranças não saem daqui. Já faz tempo bastante, mas a minha infância ainda está aqui dentro, esperando o senhor decidir voltar pra que ela possa despertar novamente.
Consciência Social
Entrei na Universidade quando ainda tinha 17 anos. Uma experiência única e inesquecível. Logo de início, no meu primeiro semestre do curso, já me vi totalmente desesperada. A professora que ministrava uma disciplina que eu considerava inútil me passou um trabalho, exercício difícil que prometia tirar meu sono durante uns seis meses. Chegada a hora da escolha de minha dupla deparei-me com outro problema, eu não conhecia ninguém, muito menos alguém disposto a participar comigo de uma tarefa daquele nível. Mas a tortura não durou muito tempo, logo conheci Keka Gutierrez, uma amiga com quem hoje posso contar a qualquer hora. A escolha do nosso tema não foi das mais fáceis, tínhamos que optar por algo que gostávamos para então criarmos um empreendimento relacionado com aquilo.
As opções eram muitas, já as idéias não vinham com tanta facilidade. A princípio decidimos trabalhar com moda, pelo simples fato de ter uma mãe costureira. Pesquisamos e percebemos que já havia muitas coisas relacionadas com isso na internet. A Keka é intérprete e trabalhou algum tempo na TV Brasília, ela tinha contato direto com assuntos relacionados a minorias sociais.
O tema que mais encantava minha amiga era inclusão social, então ficou decidido que faríamos um site voltado exclusivamente para pessoas com algum tipo de deficiência. Fiquei apreensiva, trabalhar com moda seria muito mais prático e rápido, mas aceitei o desafio.
Por trabalhar na área, Gutierrez disponha de muito material, a única coisa que faltava para que pudéssemos por em prática nosso projeto era alguém que entendesse de site e alguma matéria falando sobre Síndrome de Down. Keka já tinha os contatos, apenas pediu para que eu conversasse com Patrícia Almeida, coordenadora do Instituto Meta Social aqui em Brasília.
Na segunda-feira decidi ir até o local marcado para entrevista, e me surpreendi completamente. Encontrei uma pessoa totalmente diferente do que imaginava. A mulher que me esperava trazia um sorriso no rosto e me recebeu muito bem. Nervosa, tratei de ir logo ao ponto perguntei como tinha surgido o Instituto, como nasceu a idéia de criá-lo. Mais uma vez fiquei admirada, Patrícia começou a me falar de um dia que tinha ido ao parque com sua filha Paula, uma amiga, a Helena, e sua filha.
As duas amigas havia decido levar suas filhas ao parque, ambas com Síndrome de Down. Ao perceber que os olhares não se desviavam das pequenas meninas as mães começaram a conversar sobre o assunto. A discriminação era clara. Para Patrícia e Helena o problema tinha de ser cortado pela raiz. O preconceito nasce da falta de informação, e foi exatamente pensando assim que as duas decidiram criar um Instituto. O Meta não atende o público de uma forma direta, ele procura espaço na mídia para a divulgação de suas campanhas, tentando conscientizar a população sobre a capacidade das pessoas com SD.
A matéria estava escrita, o trabalho rendeu bom fruto. Em dois anos de curso ainda não me deparei com outra tarefa que tenha me enriquecido tanto e tenha me dado tanto orgulho. Pois não basta saber escrever ou falar com desenvoltura, o maior bem que temos é o que está dentro de cada um. Ofereça o melhor de você, ofereça respeito.
As opções eram muitas, já as idéias não vinham com tanta facilidade. A princípio decidimos trabalhar com moda, pelo simples fato de ter uma mãe costureira. Pesquisamos e percebemos que já havia muitas coisas relacionadas com isso na internet. A Keka é intérprete e trabalhou algum tempo na TV Brasília, ela tinha contato direto com assuntos relacionados a minorias sociais.
O tema que mais encantava minha amiga era inclusão social, então ficou decidido que faríamos um site voltado exclusivamente para pessoas com algum tipo de deficiência. Fiquei apreensiva, trabalhar com moda seria muito mais prático e rápido, mas aceitei o desafio.
Por trabalhar na área, Gutierrez disponha de muito material, a única coisa que faltava para que pudéssemos por em prática nosso projeto era alguém que entendesse de site e alguma matéria falando sobre Síndrome de Down. Keka já tinha os contatos, apenas pediu para que eu conversasse com Patrícia Almeida, coordenadora do Instituto Meta Social aqui em Brasília.
Na segunda-feira decidi ir até o local marcado para entrevista, e me surpreendi completamente. Encontrei uma pessoa totalmente diferente do que imaginava. A mulher que me esperava trazia um sorriso no rosto e me recebeu muito bem. Nervosa, tratei de ir logo ao ponto perguntei como tinha surgido o Instituto, como nasceu a idéia de criá-lo. Mais uma vez fiquei admirada, Patrícia começou a me falar de um dia que tinha ido ao parque com sua filha Paula, uma amiga, a Helena, e sua filha.
As duas amigas havia decido levar suas filhas ao parque, ambas com Síndrome de Down. Ao perceber que os olhares não se desviavam das pequenas meninas as mães começaram a conversar sobre o assunto. A discriminação era clara. Para Patrícia e Helena o problema tinha de ser cortado pela raiz. O preconceito nasce da falta de informação, e foi exatamente pensando assim que as duas decidiram criar um Instituto. O Meta não atende o público de uma forma direta, ele procura espaço na mídia para a divulgação de suas campanhas, tentando conscientizar a população sobre a capacidade das pessoas com SD.
A matéria estava escrita, o trabalho rendeu bom fruto. Em dois anos de curso ainda não me deparei com outra tarefa que tenha me enriquecido tanto e tenha me dado tanto orgulho. Pois não basta saber escrever ou falar com desenvoltura, o maior bem que temos é o que está dentro de cada um. Ofereça o melhor de você, ofereça respeito.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
O cansaço não me permite ver muitas das coisas que me cercam de alguma forma. É como se meus olhos fossem literalmente tapados por algo que desconheço. Não me refiro a um esgotamento físico, quem dera fosse esse o meu tipo de canseira. É algo mais subjetivo, menos compreensível, alguma coisa que me toca de repente, vem sem eu me preparar. Me canso sem enxergar o limite de onde era pra eu ter parado, vem de uma hora pra outra, e quando eu posso perceber, o estresse já me fez passar despercebida pela flor que acabou de brotar no meu jardim. Eu já fui e não pude voltar. Eu passei e não olhei pro sorriso que eu há tanto tempo aguardava. Puxei a minha mão na hora errada, virei o rosto quando deveria ter prestado atenção. Tudo isso por falta de paciência, por não saber entender que minhas relações com os outros precisam, obviamente, contar com atitudes de ambas as partes, e que cada um tem seu tempo pra tudo. Não posso sorrir esperando um sorriso em troca. E talvez, eu disse só talvez, a chave de tudo esteja aí. Fazer tudo sem esperar que em troca você ganhe uma resposta. Porque quem sabe aquele não nem tenha sido uma verdadeira negação. O egoísmo estraga tudo e nos faz cansar de algo totalmente irrelevante, algo irreal. Concordo que você tenha que pensar e você, e que tudo se resume a isso. Mas não adianta pensarmos da maneira errada. Não nos ajuda ter uma interpretação pra tudo, às vezes atrapalha. Eu não tenho tempo a perder, por isso tenha que tentar errar menos. Isso não significa me privar de arriscar, mas sim tentar insistir sempre. Buscar a resposta que lhe convém, e não enxergar o que aparenta ser. É fechar os olhos e ir além, ultrapassar o limite da lógica. É tentar entender o incompreensível. Ver o que ninguém mais vê. Duvidar do que todo mundo enxerga. É tapar os ouvidos para o resto do mundo e se concentrar na voz que vem do seu interior. É usar o seu egoísmo a teu favor!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Eu procuro um lugar pra me esconder, aonde eu me sinta segura, protegida. Do nada, sem perceber, me vejo escrevendo tudo o que morro de vontade de gritar. Tento me ocultar atrás das palavras, elas parecem não me trair. Eu falo só o que eu quero, tento te levar a perceber exatamente o que me convém. Eu te mostro as verdades e nas entrelinhas procuro declarar o que antes eu pensava ser indeclarável. São nessas linhas tortas e mal formuladas que eu tento fazer com que você converse comigo, ainda não consegui. Talvez seja normal demais, e não esteja acostumado a debater com uma simples página de internet. Eu faria o mesmo, me manteria quieta, esperando, ou não, que a covardia sumisse e que ao invés dessas palavras escritas, eu pudesse ouvi-las em pertinho do ouvido. Já tentei de outras formas, inventei histórias, procurei pretextos, mas nada me levou adiante. Continuo presa aos meus pensamentos que não conseguem se expressar de outra forma além de textos. Por isso não espero respostas, talvez seja esperar demais. Eu escrevo porque me sinto bem, quem sabe um dia o prêmio disso tudo seja você perceber que no fundo eu só queria que você me dissesse Oi.
domingo, 28 de setembro de 2008
Eu tenho um sonho

Eu me imagino em lugar diferente, com sonhos distintos,
metas dessemelhantes.
Eu apenas tento entender porque as coisas são como são,
porque ao invés de sair e fazer o que eu quero
eu tenho que ficar quieta sonhando com algo que talvez
nem aconteça. Mas meu sonho me faz feliz,
é ele que me faz sorrir, me empurra pra frente
e me faz enxergar, através da janela,
o mundo do qual eu quero fazer parte.
Já não me canso de cantar, mesmo que ninguém escute as notas saindo desafinadas. O meu medo não cala mais a minha voz. Todas as vezes que eu penso em desistir e me enfiar em algo mais fácil eu recoloco aquele filme que um dia me fez ter esperança. Esperança de seguir sabendo aonde quero chegar, de rodar e rodar e mesmo assim continuar de pé. As luzes me mostram o caminho, as pedras me deixam ainda mais forte. Eu acredito que se dessa vez não der certo eu ainda terei mais uma chance, mas alguma coisa dentro de mim me diz que um dia eu chegarei ao lugar que eu desenhei em minha mente, nem que seja só para descansar depois de toda a caminhada. Eu levo alguns sorrisos, alguns puxões de orelha. Já me fizeram desistir por um tempo, mas não tempo suficiente. O meu sonho é algo que vai, mas não se apaga de uma vez, eu sempre pude ver a luz através da fresta da porta. Eu não vou dizer que é fácil, eu nem ao menos sei se vou pelo caminho certo, mas por não conseguir fazer com que a vida espere eu encontrar o caminho, eu tracei um atalho, uma estrada alternativa, que eu acredito que mais cedo ou mais tarde me deixará no lugar certo. Eu alcançarei o meu sonho, eu viverei a canção, eu gritarei lá do alto pra quem não acreditou na força do meu coração. Já não tenho medo, pois do meu lado, eu sinto, tem Alguém muito maior.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Inutilidades

Eu me lembro de cada minuto,
Eu paro pra pensar em cada segundo.
Eu choro durante horas,
E percebo que o tempo não é capaz de apagar algo que já faz parte de mim
Eu corro pra ver se me afasto de memórias,
Eu ando tentando entender a estrada,
Eu paro tentando desvendar a saída
E percebo que nenhum caminho me afastará de você
Eu fecho os olhos para fingir que estou bem,
Eu abro os olhos e vejo o quanto estou mau,
E percebo, que abertos ou não, meus olhos sempre te enxergam.
Eu tento enganar a saudade,
Tento fugir da monotonia.
Eu tento sempre ficar perto,
Mesmo sabendo que nossa distância já é algo concreto.
Eu tento seguir os teus passos,
Quem sabe assim também fique feliz.
Se precisar, basta olhar para trás,
Pois mesmo sem querer, estarei bem aqui.
Eu paro pra pensar em cada segundo.
Eu choro durante horas,
E percebo que o tempo não é capaz de apagar algo que já faz parte de mim
Eu corro pra ver se me afasto de memórias,
Eu ando tentando entender a estrada,
Eu paro tentando desvendar a saída
E percebo que nenhum caminho me afastará de você
Eu fecho os olhos para fingir que estou bem,
Eu abro os olhos e vejo o quanto estou mau,
E percebo, que abertos ou não, meus olhos sempre te enxergam.
Eu tento enganar a saudade,
Tento fugir da monotonia.
Eu tento sempre ficar perto,
Mesmo sabendo que nossa distância já é algo concreto.
Eu tento seguir os teus passos,
Quem sabe assim também fique feliz.
Se precisar, basta olhar para trás,
Pois mesmo sem querer, estarei bem aqui.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Ele

Ele disse que hoje aparecia. Mandou recado que de hoje não
passava. Perguntou por mim, mas senti frieza. Me faltava um
Q de interesse. E eu acho que os dias que pra mim parecem
anos, as semanas que se transformam em eternidade,
pra ele não significa nada mais, além de o tempo que
se faz presente em nossas vidas desde os meus seis anos de idade. Pra ele esse tempo longe é como qualquer outro, existe, persiste.
A saudade parece não assombrá-lo com a mesma eficiência
que a mim. Se ele soubesse o quanto me faz falta. Se ele ao menos parasse pra me ouvir. Ele nunca mais me levou pra sair, nunca mais me ligou só pra dizer que me ama. Ele me pede paciência, me cobra compreensão, mas seus atos me jogam para apenas uma conclusão. Eu já tentei entender o fato de ele precisar ficar longe, mas eu não consigo achar explicação. Se nada é substituível, por que eu sinto que tem algo em meu lugar? Por que agora parece existir outra prioridade. Eu não me importaria em ser igual a ninguém, o que me incomoda é receber menos. Não digo do dinheiro, a isso eu me acostumo. Eu falo da atenção, falo dos paparicos, falo daqueles olhares que você tinha guardado só pra mim. Eu não me sinto mimada, não me acho infantil, eu só queria que tudo continuasse como antes. Porque eu acreditei quando você falou: - Não vai mudar nada! Os meus ouvidos só queriam ouvir aquilo. Eu só precisava dessa garantia. Você me disse, eu acreditei. E durante muito tempo continuei acreditando mesmo sem ter prova nenhuma. Eu continuei me contentando com o pouco. Com apenas um abraço no dia dos pais. Com um almoço no meu aniversário. Eu entendi o fato de você ter que almoçar em casa no segundo domingo do mês de agosto. Mas isso tudo me mata. Me deixa um pouco mais triste a cada dia. E você nem ao menos percebe isso. Eu tenho tanto orgulho de você, mas é como ter orgulho de alguém que não é meu. É como se falar de alguém que vive longe, alguma celebridade. Eu só grito por um pouco de atenção. Um dia só pra mim. Eu não te peço dinheiro, não te peço para que venha morar comigo. Eu quero poder sentir mais uma vez o abraço mais apertado que alguém me deu. Eu quero falar do meu dia na faculdade pra quem mais prestava atenção. Eu queria sorrir pra quem nunca soube contar piada. Eu quero jogar minhas indiretas sobre o seu quase namoro com a mamãe. Quero perguntar da minha infância, relembrar aquilo que você me falava com um baita sorriso no rosto. Eu quero poder te abraçar e te chamar de pai. Quero fazer as pazes. E quero sentir que sou sua filha, a única e eterna princesinha do papai. Eu só queria ter você, nem que fosse por uma hora, todinho pra mim, sem precisar lembrar da minha madrasta cobra, como disse o professor. Queria que por mais uma vez fossemos somente eu e você no nosso mundo feliz. Porque você é o homem que eu mais amo nesse mundo. Porque você é meu herói, meu amor, minha fortaleza. E que agora se distancia me deixando sem chão.
Qual é o problema?
Eu começo a achar que o problema está em mim. No meu excesso de atenção, na minha fixação pelos detalhes. No meu medo do passo seguinte, minha supervalorização do agora. Na minha triste mania de tentar adivinhar o futuro, o querer deduzir aquilo que eu não vejo. O fato de querer sempre a segurança. Minha preferência pelo certo ao invés do duvidoso. É por causa do meu querer estar presa a algo conhecido, sempre. É o medo de arriscar e quebrar a cara. O medo de caminhar e depois querer voltar atrás. O perceber que nem sempre o caminho me oferece a ré. É o entender que mesmo que eu tenha uma segunda chance não saberia aproveitá-la, pelo meu orgulho sempre falar mais alto. É o querer está sempre certa, querer sempre o sim ao invés do não. É o não saber entender o talvez. É a minha falta de paciência pra viver uma coisa de cada vez, a minha falta de calma, a minha excessiva rapidez. É o querer atropelar tudo, agarrar o mundo. Minhas crises de riso fora de hora, meus ataques de euforia. É o querer culpar o inocente. O querer me fazer de vitima. É o perceber tudo isso e mesmo assim continuar parada, ilesa.
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